
Há exatos 28 dias iniciamos oficialmente a nossa pesquisa etnográfica sobre a Campus Party, realizada em EQUIPE (Alexandre, Thálita e Gustavo, na foto acima). Por conta do pouco tempo que tivemos para nos preparar, do dia 05 de janeiro até aqui, temos nos reunido praticamente todos os dias, realizando encontros intensivos aos finais de semana (das 10h à 01h do dia seguinte – mais ou menos). Tomara que não enjoemos um do outro, pois a convivência foi mais do que intensa!
Por estarmos aplicando um método essencialmente qualitativo, prezando pela compreensão de cada interação em si, sem pretensões universalizantes (não que por isso não podemos fazer uso de ferramental quantitativo), o que houve de mais rico neste processo foram estas acaloradas e intensas reuniões entre os membros da Equipe. Viajamos por vários assuntos, sempre confrontando e colocando na mesa nossas impressões e opiniões – que, é bom deixar claro, não são as mesmas! Cada um dos três envolvidos com o Ser Digital desde o início possui olhares diferentes sobre as coisas do mundo. Acreditamos fortemente que estes distintos pontos de vista se complementam, culminando em discussões que abarcam sempre vários lados de uma mesma moeda. Os preconceitos, deste modo, são discutidos obrigatoriamente, uma vez que as opiniões diversas nos forçam a entender o outro antes de sairmos dizendo que isso acontece por que acontece, e ponto. Nos obrigamos a colocar nossas crenças, nossas verdades e nossas “teorias” ou hipóteses em crise, uma vez que pensar criticamente sobre qualquer assunto, implica neste complexo, gratificante e às vezes doloroso exercício de reconhecimento de si mesmo.
Chegamos a discutir, a nos desculpar uns com os outros, a reorientar a condução da pesquisa em Equipe – enfim, nos alinhamos e conquistamos uma harmonia reflexiva pautada na diferença, criando, assim, um coletivo que preserva a peculiaridade e a heterogeneidade constitutiva destas pessoas. Expusemo-nos! Contamos nossos medos, nosso traumas, nossas alegrias e, principalmente, nos esforçamos para fazer com que o outro entendesse o caminho percorrido que nos trouxe ao mesmo lugar – a Campus Party. Exemplificando: se eu não gosto de blogs, se eu acho que na área de software livre e desenvolvimento só tem nerd estereotipado, se eu penso que jogos online é coisa pra quem não tem o que fazer ou se eu acho que a internet é o meio de comunicação mais fantástico do mundo – tudo isso tem que ter um MOTIVO; este motivo só faz parte de mim com base nas minhas experiências e nos coletivos pelos quais eu me filio, e se eu não entendê-lo, ficarei preso nas armadilhas dos meus gostos e das minhas preferências de forma inconsciente.
Por fim, deixo claro que este foi nosso maior investimento – entender o que existe em nós mesmos e que nos faz enxergar a Campus Party desta ou daquela forma. Usamo-nos para que pudéssemos entender mais e melhor as coisas naturalizadas, cristalizadas e cotidianas – que geralmente não paramos para pensar. Nossos posts individuais foram sempre discutidos em grupo e cada tema foi escrito pelo integrante que tinha mais intimidade e afinidade com o assunto em questão. O blog serviu para que colocássemos para fora algumas questões que mais nos interessam e nos afetam relacionadas a Campus Party!
Aproveito para saudar e dar as boas-vindas para duas alunas que participarão conosco da etnografia em campo: Gabriela Valentin Thobias e Luara Andrade Arabi – alunas do curso de Design e orientandas do prof. Wilson Bekesas no PIC-ESPM (Programa de Iniciação Científica). Nos vemos segunda-feira e contem conosco!