Não estou aqui para ofender ninguém, nem para ser um radical extremista em minhas opiniões, mas faz dias que tento achar uma forma de escrever esse post sem incomodar ninguém e, honestamente, desisti disso ao perceber que seria impossível e resolvi escrever assim mesmo.
Um fato que muito me irrita em um blog é quando ele só tem uma página e nem dá rolagem vertical no navegador. Não porque gosto de ler blogs recheados de informação (de fato, acho melhor assim), mas porque muito me entristece ao ver o quanto as novas ferramentas de comunicação dão voz a quem não tem nada para dizer. Vejam bem, eu mesmo tenho amigos que têm mais de um blog assim, mas nem por isso eles me irritam. O que me irrita é a falta de controle e auto-crítica que surge com essa efervescência das novas formas de comunicação, mas afinal, não é da pluralidade que tiramos as coisas boas? Então, por enquanto, deixe estar…
Hoje vejo que existem inúmeras formas de se fazer um blog, microblog, sketchblog, flog, vlog, e tantas outras formas de deixar um “log” (registro, em inglês). Mas quantos desses logs têm, de fato, alguma informação útil para qualquer outra pessoa que não aquela que escreveu? Fico triste ao ver que a maioria das iniciativas desenvolvidas com a finalidade de propagar informação tenham se tornado ferramentas egoístas de auto-promoção ou introspecção, muito mais que qualquer outra coisa. Digo isso pois “sou assim”, “gosto disso” e “estou fazendo isso”, soam para mim como coisas muito mais egocêntricas do que “entenda mais do mundo em que você vive” ou “isso é algo que pode afetar muitas pessoas”.
De acordo com o site Technorati, há 133 milhões de blogs na “blogosfera“, número que cresce vertiginosamente (atualmente 1.5 milhão de novos blogs são criados toda semana, e cerca de 1 milhão de posts são feitos a cada 24 horas). Eu me pergunto quantos desses têm alguma informação útil para os leitores, e não me refiro a útil no sentido prático ou com finalidade específica, mas útil de qualquer forma, desde uma receita de bolo até um ensaio sobre geopolítica, qualquer coisa que acrescente algo na vida da pessoa, algo mais que informações sobre o humor, gosto ou pseudo-consciência de quem escreveu.
Devido à pesquisa, ando esbarrando com muitos blogs ultimamente, e isso tem me dado a chance de perceber quantos deles me fizeram perder tempo, ao mesmo tempo que poucos me economizaram muito deste, e evitaram que eu tivesse que gastar horas de pesquisa, porque alguém já se deu ao trabalho. Isso sim eu chamo de conhecimento colaborativo. Não importa o que o autor tinha na cabeça quando postou, ele sabia que aquilo iria acrescentar algo na vida de algum leitor, que alguém poderia fazer uso de alguma forma, e mesmo não sabendo exatamente como, postou e criou conteúdo útil para alguém na humanidade, passou conhecimento que poderá cair como uma luva na pesquisa de outro, ou simplesmente fez alguém sorrir.
Às vezes me dou ao trabalho de ler o caderno de informática da semana. Na verdade faço isso de vez em quando só pra saber o que andam falando sobre tecnologia no jornal, porque se eu quiser notícias atuais (e não semanais) sobre tecnologia, procuro na Internet. Dando uma olhada no caderno de informática do vizinho (é ele quem me fornece a versão em papel das notícias, que é usada para forrar o “banheiro” do cachorro), achei um exemplo de um blog que me chamou a atenção, e me deu esperança por assim dizer.
Sameh Akram Habeeb, 23 anos, é um blogueiro palestino residente em Gaza, um lugar aonde jornalistas não têm acesso. Ele percorre as ruas da cidade, fotografando os resultados dos recentes conflitos na região e disponibiliza o material na Internet a partir de sua casa (aonde ainda há telefone) depois de carregar a bateria de seu notebook em um local a quatro quilômetros dali (aonde ainda há eletricidade). Em seu blog “Gaza Strip, the Untold Story“, Sameh fala dos acontecimentos no lado palestino da Faixa de Gaza, enquanto em seu álbum virtual de fotografias coloca as fotos que faz pela cidade. Sua iniciativa já lhe rendeu ameaças de morte, mas ele diz que não vai parar pois sente que precisa mandar notícias sobre essa guerra.
O que pretendo com isso é dizer que acredito na capacidade que um ser humano tem de produzir algum conteúdo, dadas as corretas condições de produção. Por outro lado, também acredito que essas condições de produção devam incluir um certo grau de instrução em relação às formas de se comunicar, assim como aprendemos a nos comportar em uma comunicação verbal. Abriram-se para o mundo as portas de inúmeras ferramentas de comunicação, mas ninguém disse o que fazer com elas. Concordo que não se deve restringir o uso de uma ferramenta para atingir interesses específicos, mas daí para “faça o que quiser com isso” ou “isso é seu” é um longo caminho, e a anarquia digital instaurada por displicência tem se mostrado um tanto quanto barulhenta até aqui. Cuidado com o que você ouve no meio do barulho…
Simplesmente sensacional e oportuno este post. Realmente acho que a internet chegou a um ponto de absurda bagunça e desinformação.
De que vale ter acesso a tudo, se muito desse tudo é porcaria, que confunde ainda mais as mentes sedentas de aprender?
O que poderiamos fazer a respeito?
E que tal blogs coletivos?
Ai tu só escreve na hora que deseja mesmo, que é útil. Divulga coisas interessantes para um mínimo grupo de controle responsável e não interessado em simples networking.
E outra, o conhecimento se constrói principalmente por oposições! Ai temos as ferramentas “web 2.0″ e tu tá ligado..
No mais, muito real análise! Bão pro papo!
INté!
Olá, gostei muito do seu blog, me identifiquei principalmente porque a produção de conteudo é mesmo um assunto muito delicado, sobretudo na internet.
Gostaria que visitasse meu blog, é um blog de ciência e Arte! podemos trocar links tbm…
http://conexaoic.blogspot.com/ Aguardo vc.
bjos
Isa